QUEM SOMOS

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uma revista de reflexão e crítica

A revista Finisterra é um caso exemplar no pobre panorama das revistas portuguesas de carácter cultural e político. Dirigida por Eduardo Lourenço, esta publicação actualmente quadrimestral teve como ponto de partida um colóquio organizado pelo Gabinete de Estudos do Partido Socialista e a Fundação Friedrich Ebert em 27 de Maio de 1988, em que se debateu o tema “O Socialismo do Futuro”. O primeiro número da revista inspirou-se neste colóquio. Dez anos depois foi publicado um caderno em que se pediu aos colaboradores do primeiro número que actualizassem as suas ideias sobre o tema que tinha inspirado o lançamento da revista.

O ponto de partida da Finisterra revela muito claramente o seu sistema de referência. Trata-se de uma revista que se integra na área do socialismo democrático, ideário que, dez anos depois, se mantém, com as devidas adaptações, aos novos tempos. Mas estas adaptações não significam andar a reboque das circunstâncias imediatas, mas muito simplesmente adoptar uma perspectiva crítica sobre a realidade existente para melhor contribuir para a sua transformação. É neste sentido que a Finisterra constitui uma revista que não segue a moda dos tempos, mas pretende ser interveniente e activa, lançando pistas para a reflexão e o debate sobre temas política e socialmente relevantes.

A Finisterra teve sempre como preocupação situar-se na vanguarda da discussão de argumentos que marcam a actualidade política nacional e internacional. Para isso, a revista possui sempre um dossier, em que se desenvolve uma análise e reflexão sobre estes argumentos. Encabeçada por um editorial do professor Eduardo Lourenço, pelos diversos dossiers passaram uma grande diversidade de temas. Exemplificando, a Finisterra esteve presente na polémica sobre a guerra no Kosovo, não esquecendo também os atentados de 11 de Setembro, bem como a invasão norte-americana do Iraque. Mas a realidade nacional também não foi esquecida. Destaca-se um número sobre a regionalização, que esgotou, e, mais recentemente, um número sobre a problemática da educação em Portugal que recolheu contributos de estudiosos e de sindicalistas. Deve também salientar-se o apoio que, desde o início, a Finisterra tem recebido da Fundação Friedrich Ebert. Apoio que passa pela aquisição de exemplares e pela realização de colóquios cujas intervenções são publicadas na revista. Último exemplo foi um interessante colóquio sobre as relações Estados Unidos – Europa, onde participaram conferencistas europeus, norte-americanos e portugueses, iniciativa que esteve na origem do dossier do último número duplo da revista.

Mas nem só de um tema central vive a Finisterra. Existem secções que dão uma maior amplitude temática à revista, como a secção Das Ideias, onde frequentemente se publicam textos ou pequenos ensaios de reflexão aprofundada, e a secção Da Cultura, em que os temas culturais ocupam um lugar de relevo. Isto significa que a Finisterra não se limita a ser uma revista de carácter estritamente político, mas abre-se a uma grande diversidade de questões que fazem parte do multilateral horizonte humano. Por outro lado, a Finisterra, apesar de se reclamar do socialismo democrático, não é uma revista partidarizada. O seu lema é o pluralismo, sem cair no ecletismo sem princípios. O critério que segue na escolha dos textos é o da qualidade. O grande princípio orientador é a unidade na diversidade. Só assim a Finisterra poderá continuar a contribuir para o desenvolvimento da reflexão e do espírito crítico num país em que cada vez mais predominam o amorfismo e o navegar sem bússola ao sabor dos ventos e das marés dominantes.




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