F|I|N|I|S|TERRA Nº 53/54

1 04 2007

Da América e da Europa
Eduardo Lourenço

Nunca a América esteve tão omnipresente na cena planetária como neste começo de século e de milénio. Missão salvadora em lógico prolongamento de duas guerras mundiais e da guerra fria que se seguiu à última, mas também vertigem na aparência incontrolada e incontrolável, depois, mau grado o desaire do Vietname, logo compensado com duas guerras do Iraque. A esta omnipresença americana correspondeu a retirada da Europa, nas suas duas expressões, da mesma cena mundial por ela dominada desde Watterloo, pelo menos. E com ela um novo relacionamento América-Europa e Europa-América, se não de total dependência, de subalternidade, sem exemplo no passado. Como Roma depois da segunda guerra púnica, a América após o duplo colapso político da União Soviética e da Europa democrática, assumiu, sem hesitações, a função hegemónica imperial, até então de exclusiva representação europeia.
Estamos em plena vertigem imperial e imperialista da América, mas desta vez sob o signo e a caução da Democracia exemplar de que os Estados Unidos se reclamam e que nós mesmos, europeus, aceitamos como paradigmática, até porque, começou por ser, fora da Europa, a filha dilecta da História europeia.
“American Vertigo” é o título certo que um europeu, filho desse mesmo entusiasmo mítico pela América, deu ao seu mais recente ensaio, na esteira do célebre de Tocqueville, sobre o caso americano no momento em que se tornou o autor incontornável da nossa História. Como todos os ensaios de compreensão da América, mesmo nesta fase da hegemonia planetária dos Estados Unidos, o livro de Bernard Henry Lévy é, ao mesmo tempo, um ensaio sobre a Europa. Ou melhor sob fundo da Europa. Apesar da sua paixão pela América, “American Vertigo” – de hitchkockiana ressonância – é um espelhismo. Um duplo espelhismo, o da imagem da América em nós e a nossa na América. O ensaio do mediático ex-novo filósofo é interessante, vivo, apaixonado e, por vezes, apaixonante. Corresponde um pouco ao que nós esperávamos desta revisitação de Tocqueville a cento e setenta anos de distância. Mas já não é, porque o não podia ser, uma leitura e uma compreensão da América como a do tempo do célebre ensaísta e historiador. O espelhismo é inverso. A Europa de Tocqueville era o centro do mundo e a novidade e o golpe de génio de Tocqueville foi de ter compreendido que essa não-Europa, em vias de se construir e mesmo de se construir era não só a “periferia” paradoxal da mesma Europa, mas já uma Europa outra, uma anti-Europa à procura de um futuro que teria o seu nome e seria o paradigma do futuro.
Há mais de século e meio, a tentação, já então forte, de ler a América no espelho da Europa era de natureza não apenas equívoca, mas assimétrica. A Europa era – salvo na excepção-Tocqueville – o modelo, e a jovem América que não chegara ao termo da sua “fronteira”, quando muito uma Europa futura. Mas sobretudo, a Europa, por mais paradoxal que pareça, nesse confronto de imagens, era ela mesma o mito da Civilização e, embora, social e culturalmente no continente de diversas e antagónicas nações, aos olhos do mundo e na ordem política, o nosso continente era um “todo”. Um todo sobretudo no seu papel de continente “civilizado” e “civilizador”.
Duas guerras suicidárias, o fim da descolonização que sempre de fora dava à Europa a sua figura civilizadora e imperialista, converteram o continente-Civilização, primeiro em destroços, depois num mundo politicamente sem centro e, por fim, embora de novo social e culturalmente ainda brilhante, numa espécie de Grécia que nem espera Alexandre nem a futura Roma para ser a subalterna realidade política em que se converteu.
Aproximar para fins de compreensão geopolítica a América e a Europa só tem sentido em relação a um passado recente em que uma e outra eram actores da História ou em vista de uma Europa, continente unificado ou unificável, futuramente (im)plausível. A América, goste-se ou não se goste, neste momento é ainda uma força que avança, uma vontade histórico-política com um sujeito próprio, e o novo César de um império romano fictício, mas que como tal se sonha ainda. A Europa na sua realidade concreta são “nações” – e é o que como “nações” se vive que é importante – sem nenhum “centro” nem vontade política digna desse nome. No melhor dos casos, em nome do seu fabuloso passado político é ainda uma sociedade de resistência e de protesto face a uma sociedade (a mesma) hiperliberal como a americana, mas que é uma Nação. Mas mesmo nesta perspectiva, a realidade europeia é, pelo menos, a de duas Europas – não a antiga, da guerra fria, de oeste a leste – mas uma pró-americana de ideologia e quase ocupação, e outra, mais contestatária, de tradição socializante e crítica em relação ao paradigma dominante americano. Paradoxo quase burlesco, típico da inversão de signo da nova fase do Ocidente, são os antigos países de Leste que caíram na escarcela dos Estados Unidos como frutos maduros, e são os do ocidente, aliados preferenciais da América, que mais contestam as pretensões imperialistas do país de Lincoln e Bush.
Apesar de na ordem política e militar a Europa estar reduzida a uma “Natolândia”, a “velha Europa”, tão pouco cara a Rumsfeld, responsável pela nova estratégia norte- americana no mundo, não é bem e nunca será, mais um “estado” em uma série de “estados” da grande América. Até se pode dizer que esta tão impressionante supremacia americana no contexto de um Ocidente tão assimétrico como é o nosso, é, em grande parte, ilusória. Um bom entendimento com a Europa – em todos os planos – ainda é importante para os Estados Unidos e claro está não o é menos para a Europa. A Europa – e já o provou em circunstâncias graves – é para os Estados Unidos um factor positivo na sua política planetária que tem muito de “fuga para a frente”. E a Europa não está sozinha no mundo. Ainda é um interlocutor válido no novo jogo mundial onde a China e a Índia entraram ou reentraram com espectacular presença. Sem falar na diversa mas complementar posição de ambas – América e Europa – em relação ao Islão. A “impotência” europeia não é apenas um elemento negativo na perspectiva das relações América-Europa. Essa “impotência” é também sabedoria tardia mas efectiva de um continente que, depois de várias peripécias suicidárias se converteu no continente da paz por excelência. Continente de paz activa, entenda-se, não de espaço egoisticamente preservado de conflitos ou alheio aos males do mundo e, em particular, aos que afectam as áreas onde a Europa teve responsabilidades históricas e, agora, deveres éticos imperativos.
A América que está ou tem tendência – mormente sob o ponto de vista tecnológico – a estar em toda a parte e a intervir cada vez mais abertamente no destino do planeta como um todo não só presume das suas forças, como não pode levar a cabo a sua “missão” providencial sem o consentimento implícito e o apoio de uma Europa, por mais subalternizada que esteja ou pareça. Vendo bem, esta América tão fora dela e tão dominadora do mundo, não está certa de um futuro tão “americano”, como agora o imagina e nós europeus temos tendência a crer, hipnotizados pelo exemplo dos exemplos, o do Império Romano. A América é um falso império romano, que se construiu no tempo lento de uma outra civilização imóvel por dentro durante quase mil anos, com quatro de gloriosa decadência. De um certo modo, a Europa não apenas como passado, mas como realidade futurante, não tem menos garantia de perenidade (e de íntima coesão de memória) que esta América em contínuo processo de construção-destruição do seu próprio modelo. Nem o factor língua tão homogéneo ainda hoje lhe assegura o domínio cultural que é ainda o seu. Há uma caoticidade inerente à sociedade americana – hoje factor até certo ponto do seu dinamismo – que mina surda ou já visivelmente a espécie de “nação”, maior do que ela mesma que são os Estados Unidos. É duvidoso que o seu novo modelo imperial como solução de emergência para canalizar os seus elementos centrípetos, lhe assegure como outrora a Roma, uma perenidade política de alcance planetário. Mais fácil será que essa “performance “ venha de impérios com memória milenária e estruturante, entre eles a China e o Japão. De qualquer modo, se como “império ocidental” os Estados Unidos se consolidarem é imperativo que associem a uma nova utopia precisamente essa Europa, filha do Império Romano, de onde a ideia de um império mundial surgiu. E que nessa Europa não se esqueça a Rússia, nação messiânica e imperial. Com estes três lados poderá reinventar o antigo triângulo mítico e místico que a religião dominante do Ocidente configurou na Trindade. O Ocidente é um todo e é uma ilusão de nação adolescente pensar que a mera supremacia militar, financeira e económica assegure à mais optimística criatura da velha Europa, o domínio do mundo. Sozinha a América não chegará ao fim de si mesma.

Lisboa, 1 de Maio de 2005

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A Europa como Contrapeso às Ambições dos Estados Unidos
Robert Kuttner

Desde a Segunda Guerra Mundial, as diferenças entre os Estados Unidos e os países democráticos da Europa, infelizmente, nunca foram tão grandes. É pena que tal aconteça, uma vez que os nossos interesses principais são fundamentalmente bastante similares. Ambos queremos promover a democracia e uma sociedade aberta. Queremos também promover a segurança, e evitar a proliferação das armas de destruição massiça e o terrorismo. Queremos ainda promover sociedades com uma distribuição do rendimento socialmente defensável, sociedades que crescem e prosperam, onde o pluralismo e a sustentabilidade ambiental sejam respeitados. Nestas condições, porque é que atingimos um ponto, depois de um período, que parecia ser de convergência, em que existe uma tal diferença que separa a Europa dos Estados Unidos?

Uma grande diferença é que nos Estados Unidos, o Estado Social e a economia social de mercado, nunca atingiram o nível de sustentabilidade política e ideológica, que obtiveram na Europa. O Estado Social existente nos Estados Unidos destina-se, em primeiro lugar, aos idosos através de programas de seguro de reforma e seguro de doença, ou para os mais pobres. A classe média em idade de trabalhar não fez o mesmo investimento político no Estado Social, que tem sido feito na Europa. Nunca tivemos um seguro de saúde para os trabalhadores, nem temos programas globais dirigidos às crianças e aos bebés. O nosso sistema de compensação do desemprego é muito subdesenvolvido, quando comparado com o sistema da Europa. Deste modo, para muitos americanos da classe média, o Estado Social aparece como “algo para os outros” e não como “algo para nós”. Também não temos um partido social-democrata, com um movimento de trabalhadores, para defender consistentemente o Estado Social.

Os períodos de crescimento do Estado Social, nos Estados Unidos, nomeadamente, o da era “New Deal” do Presidente Franklin Roosevelt, ou o da era de Lyndon Johnson, foram excepções. O período de Roosevelt foi muito excepcional, por causa da crise real do sistema de mercado, da ideologia do “laissez-faire” em período de desacreditação e do enfraquecimento temporário do patronato, enquanto força política, e do prestígio do Estado, não só resultante de ter tirado o país da Grande Depressão, mas também, evidentemente, de ter ganho a Segunda Guerra Mundial. Esta situação deu origem a um período de convergência aparente, entre o modelo americano e o modelo europeu, depois da Segunda Guerra Mundial. Neste período, a Europa promovia uma economia social de mercado, a Europa reduzia o sector estatal, mas criava ao mesmo tempo um Estado Social, e os Estados Unidos pareciam ter um desenvolvimento similar.

Depois da década de 1960, nos Estados Unidos, a evolução tomou uma direcção muito diferente, enquanto as forças que apoiavam a economia social de mercado enfraqueceram. Esse enfraquecimento foi a consequência do trauma do Vietname, das divisões relativas às questões de género, da guerra cultural, provocada por novas questões tais como o aborto, os direitos dos homossexuais e o feminismo, que por sua vez constituem a preocupação central da coligação, que apoia o Presidente Bush. É uma política interna muito divergente, quando comparada com a política interna da Europa Ocidental.

Na verdade, se quisermos compreender o papel do fundamentalismo religioso, na política americana, o melhor que podemos fazer é ler sobre a Turquia, porque a situação é muito similar, sob vários aspectos. O Islão político desempenha um papel, que dá uma base de apoio ao conservadorismo e nacionalismo, do mesmo modo que os fundamentalistas cristãos fazem nos Estados Unidos. Mesmo agora, o partido no poder, os Republicanos, não faz quase nada no domínio da economia. A religião e o conservadorismo cultural, a antipatia pela modernidade, a antipatia pelas políticas, tais como, os direitos dos homossexuais, ou direitos reprodutivos, são as questões que, hoje, animam o debate político nos Estados Unidos.

Agora, depois da administração Bush ter sido completamente desacreditada, por não ter previsto o ataque terrorista de 11 de Setembro, ter falhado no Iraque, não ter ajudado a população de Nova Orleans, depois do furação Katrina, e não ter uma política para a gripe das aves, a popularidade de Bush decresce, mas a popularidade do Partido Democrático não sobe. Temos um enfraquecimento sistemático do partido da oposição, ao qual falta um programa consistente ou uma visão coerente do mundo, e o enfraquecimento das forças, que constituem a base popular do Partido Democrático, como o Movimento Sindical.

Os Estados Unidos são economicamente dinâmicos, mas estão, ao mesmo tempo, economicamente desequilibrados. Estamos a criar uma grande quantidade de novas empresas, novos postos de trabalho, mas o fosso na distribuição do rendimento, na saúde, nunca foi tão grande. Os postos de trabalho oferecem salários desproporcionadamente baixos, não têm benefícios sociais, segurança económica ou seguro de saúde. Existem também desequilíbrios fiscais, muito perigosos, no orçamento de Estado e na dependência do dinheiro emprestado em países como a Índia e na China.

A direita religiosa, em particular, está muito perturbada porque o fundamento constitucional dos Estados Unidos, sempre teve uma compreensão do papel da religião na política, diferente daquela que a Europa tem (com a importante excepção da França, depois de 1789). Começámos a nossa experiência enquanto república, com uma separação estrita da Igreja do Estado. Os fundadores da república americana deram-nos este modelo, porque conheciam a história das guerras de religião e perceberam a importância de manter o Estado separado das religiões.

Como resultado desta separação, a religião floresceu nos Estados Unidos. Na Europa, foi exactamente o oposto que sucedeu, pois a Europa conhece a religião organizada demasiado bem. Como consequência, em muitos países da Europa, existem ligações formais entre muitos Estados e religiões oficiais, mas existe também uma atitude muito mais desprendida em relação à religião, na vida quotidiana. Na verdade, a Europa deve ser a parte do mundo, hoje em dia, onde não existe um despertar religioso que envolve a política.

Hoje, existe uma outra anomalia perigosa, na política dos Estados Unidos. O Presidente Bush foi eleito, enquanto presidente de uma minoria, mas está a realizar um agenda ideológica, como se tivesse o apoio da grande maioria do povo americano. Esta situação não tem precedente na história dos Estados Unidos. Por exemplo, Ronald Reagan realizou um programa muito ideológico, como Franklin Roosevelt já tinha feito. Mas ambos tinham um apoio popular esmagador, que andava por volta dos 60 por cento dos votos. Ambos, embora ideologicamente opostos, tinham um mandato genuíno. Bush não tem um mandato, mas está a agir como se tivesse. Pode tomar esta atitude porque, pela primeira vez, na história americana, temos algo como um sistema parlamentar no Congresso, do lado republicano. Os Estados Unidos têm a separação dos poderes, o Congresso é eleito separadamente, não temos um Primeiro-Ministro e, apesar disso, temos um Partido Republicano ideologicamente coerente e muito disciplinado, com base num movimento político composto por uma aliança estranha, entre os conservadores culturais e religiosos e os cosmopolitas de Wall Street.

Quanto à economia global, os dois partidos políticos americanos estão a desenvolver, essencialmente, a mesma receita neoliberal, com o objectivo de impor um único modelo de capitalismo no mundo. As instituições globais, tais como, a Organização Mundial do Comércio e o Fundo Monetário Internacional, estão a ser utilizadas, para esmagar as protecções sociais e laborais, que foram o objecto das políticas internas, em todos os nossos países, a nível nacional, desde os fins do século XIX. O seu objectivo é de restaurar o sistema de propriedade, que existia há um século, quando havia direitos de propriedade protegidos pelo Estado, mas os outros direitos, tais como, os direitos sociais, laborais e ambientais, eram muito poucos.

No domínio da geopolítica, os Presidentes Clinton e Carter estavam muito mais próximos da visão europeia, mais colaboradora, querendo trabalhar mais com as instituições internacionais. Bush representa uma pretensão quase sem precedentes de hegemonia americana, ele é singularmente inamistoso com as instituições internacionais, embora exista um elemento interessante de inconsistência, na direita americana. A administração de Washington está muito decidida a subordinar o direito do trabalho e o direito social americano, à Organização Mundial do Comércio, quando isso serve para promover os objectivos do patronato, mas quando se trata de Kyoto, do Tribunal Penal Internacional ou de muitas das instituições das Nações Unidas, existe uma verdadeira hostilidade para trabalhar com ou através das instituições internacionais.

Não há uma divergência fundamental entre os interesses dos Estados Unidos e os interesses da Europa, quer nas questões económicas ou geopolíticas. Mas o actual Governo dos Estados Unidos do Presidente Bush definiu os interesses americanos e os objectivos globais, de um modo que os torna verdadeiramente repugnantes, para a maior parte dos europeus. Com o Governo de Bush, na verdade existem sérias divergências, entre os interesses americanos e os interesses europeus, um dos quais deve ser de conter as políticas extremas dos Estados Unidos.

Contrariamente à visão do Presidente Bush, a União Europeia representa uma extraordinária realização, que supera antigas animosidades nacionalistas, cria um sistema social de mercado transnacional e um meio pacífico de resolução de conflitos. Evidentemente, também é verdade que a União Europeia está a sofrer o assalto de várias forças. Existe o problema do crescimento lento e do elevado desemprego, que é muitas vezes atribuído, sendo as culpas desta situação, muitas vezes, erradamente, atribuídas ao Estado Social. Pelo menos alguns países, na Europa, têm sido capazes de ter uma versão mais flexível da economia social de mercado e manter o modelo social, conseguindo ao mesmo tempo também um bom crescimento económico. A Europa também precisa de uma política monetária um pouco mais expansionista.

A globalização torna mais difícil a defesa dos altos salários, impostos e encargos sociais europeus. A imigração também reduz o modelo europeu, porque mina o apoio político aos sistemas de impostos elevados e de despesas sociais. O alargamento da União Europeia sublinha o modelo original, o designado défice democrático mantém-se.

A Europa afirma-se, parcialmente, como um contrapeso ao modelo social americano e, portanto, existem divisões na Europa. Gordon Brown acredita que o modelo social europeu necessita de se tornar mais flexível. Mas Gerhard Schroeder adverte a Europa, para não seguir o caminho dos anglo-saxões.

Não é necessário criar uma alternativa, tanto ao modelo social interno americano, como à visão neoliberal do sistema comercial, mas por causa das suas divisões, a Europa não tem feito muita pressão, no sentido de converter os direitos sociais, laborais e ambientais ou os bens públicos, no núcleo central, das regras do sistema de comércio global.

Na geoestratégia, a Europa representa uma visão muito diferente da visão dos Estados Unidos, no seu apoio às instituições como o Tribunal Penal Internacional e Kyoto, na sua visão muito diferente quanto à solução para o Iraque. Deste modo, as divisões dentro da Europa vêm de novo tornar mais difícil que ela sirva de contrapeso aos Estados Unidos. No entanto, muitos Europeus, com a excepção dos franceses, estão relutantes em explicitar este objectivo, muito menos por ver os Estados Unidos como uma ameaça geopolítica, do que no quadro duma política da balança de poder.

Por consequência, a questão prática que se coloca é a seguinte: tendo em consideração os desafios que o modelo europeu enfrenta e as divisões na Europa, tanto em questões económicas, como quanto ao modo de tornar o Estado Social mais flexível e nas questões geoestratégicas, de que modo pode a Europa servir de contrapeso, mais efectivo, ao modelo social e ao modelo geoestratégico americano?

(Tradução de Fernando Cruz)

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